Uma experiência real com o Duque e lições importantes para tutores de primeira viagem

É difícil não cometer erros quando é a primeira vez que fazemos algo, não é?
Comigo não foi diferente.
O Duque foi o meu primeiro cachorro, e junto com ele vieram erros que, se eu pudesse voltar no tempo, faria de forma diferente. Como isso não é possível, resolvi compartilhar minha experiência para ajudar você, que é tutor de primeira viagem, a não cometer os mesmos erros que eu cometi.
Erro 1: Hiperproteção do cachorro
Quando adquirimos um filhote pequeno, fofo e aparentemente frágil, é quase impossível não querer protegê-lo de tudo. O problema é que a hiperproteção traz mais prejuízos do que benefícios — e eu aprendi isso da forma mais difícil.
Com o tempo, Duque se tornou um cão inseguro e medroso, o que afetou diretamente sua qualidade de vida. Muitas vezes pensamos que estamos fazendo o bem, quando na verdade estamos criando um problema emocional no nosso amigo de quatro patas.
O cachorro precisa ser exposto, ainda filhote, a novos desafios, cheiros, sons, objetos e situações diferentes, sempre de forma gradual e segura. Isso ajuda o cão a se adaptar ao ambiente em que vive.
A insegurança nasce quando a hiperproteção é excessiva. O cão é um animal de matilha e enxerga o tutor como o líder. Se o líder demonstra medo ou insegurança diante de algo, o cachorro entende que aquilo representa perigo.
Curiosamente, Duque nunca teve medo de fogos de artifício ou trovões. Desde pequeno, sempre que ouvíamos algum barulho alto, eu fazia festa, brincava com ele e mostrava que estava tudo bem. Porém, por ser um medo comum em cães, acabei não me atentando a outros estímulos.
Com o tempo, Duque desenvolveu medo extremo de barulhos metálicos, como objetos caindo no chão, a ponto de correr e tremer de medo. Isso poderia ter sido evitado com uma socialização mais ampla.
👉 Não proteja demais o seu cão. Isso pode torná-lo inseguro e medroso com situações que você nem imagina.
Erro 2: Humanizar o cachorro
Vivemos em uma época em que muitas pessoas se consideram “pais de pet”. Não tenho nada contra isso, mas falando da minha experiência, posso afirmar que humanizar o cachorro foi um erro.
O cão é um animal de matilha. E dentro dessa estrutura, uma coisa é certa: ou você assume a liderança, ou o cachorro assume.
Talvez quem pense em ter um cão de pequeno porte, como um Pinscher ou um Poodle, ache que isso não faz tanta diferença. De fato, um cão pequeno não causa grandes estragos físicos. Mas quando falamos de cães de médio, grande ou gigante porte, a situação muda completamente.
Já imaginou um Pastor Alemão pegar uma roupa sua e, ao tentar tirar, ele rosnar para você? Ou algo cair no chão perto dele e, ao se aproximar, ele mostrar os dentes e te enfrentar?
Essas situações aconteceram comigo.
Confesso que, nessas horas, eu tremia de medo. Parecia que Duque dobrava de tamanho. Manter a calma quando a vontade é sair correndo não é nada fácil.
Os cães precisam de limites e regras claras. Eles precisam entender quem está no comando. O cachorro pode ser seu melhor amigo, mas é essencial compreender que ele não pensa como um ser humano.
Reforço: se você não assumir a liderança, o seu cachorro assumirá.
Erro 3: Não levar o cachorro ao veterinário periodicamente (o pior erro)
Esse foi, sem dúvida, o erro mais grave que cometi.
E foi um erro que custou a vida de Duque.
Sempre que eu levava Duque ao veterinário, ouvia a mesma pergunta: se eu gostaria de fazer exames de sangue para avaliar a saúde dele. Minha resposta era sempre “não”. Na minha cabeça, aquilo era apenas uma forma de ganhar dinheiro.
Eu administrava regularmente o remédio contra pulgas e carrapatos (Bravecto), porém de forma errada. Mesmo a bula recomendando a aplicação a cada 3 meses, eu aplicava a cada 6 meses, pois não via sinais visíveis de carrapatos ou pulgas.
Até que, um dia, Duque apresentou um quadro de febre. Ao levá-lo ao veterinário, foi diagnosticada a doença do carrapato. A partir dali, o estado de saúde dele só piorou, até que infelizmente veio a óbito.
Compartilho isso como um alerta sincero: existem doenças silenciosas, que só apresentam sintomas quando já estão em estágio avançado. Mesmo quando o cachorro aparenta estar saudável, exames periódicos são essenciais.
Se o cão sobreviver, essas doenças podem deixar sequelas. Se não, o desfecho pode ser irreversível — como foi comigo.
Considerações finais
Espero que você, marinheiro de primeira viagem, não cometa esses três erros que eu cometi. Faça diferente.
Se você cuidar do seu cachorro com informação, responsabilidade e amor equilibrado, tenho certeza de que terá ao seu lado um amigo fiel, saudável e feliz por muitos anos.
Duque me ensinou muito — inclusive através dos erros. E é por isso que compartilho essa história.